SHIZEN NO MICHI (O Caminho da Natureza)

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Natureza, a Primeira Mestra Muito antes de existirem escolas, livros ou dojos, a natureza já nos ensinava. Foi com ela que aprendemos a caminhar, respirar, observar, adaptar-nos e sobreviver. A terra sustentava nossos passos. A água purificava e renovava. A floresta despertava os sentidos. O nascer do sol marcava o início do dia, enquanto o cair da noite convidava ao repouso. O ritmo das estações ensinava que toda transformação exige tempo, equilíbrio e continuidade. Durante milhares de anos, o ser humano viveu em profunda sintonia com esses ciclos. Corpo e mente foram moldados pela luz do sol, pelo contato com a terra, pelo silêncio das montanhas, pelo som dos rios e pelo movimento constante da vida natural. Nas últimas gerações, porém, afastamo-nos dessa realidade. Cercados por concreto, tecnologia, ruídos e estímulos incessantes, passamos a viver desconectados dos ritmos que moldaram nossa própria biologia. O corpo continua pertencendo à natureza; a mente, muitas vezes, já não...

DŌJŌ - 道場

 


A palavra japonesa dōJō remete ao termo chinês dàochǎng, que por sua vez é a transliteração de bodhimanda, do sânscrito. Bodhimanda refere-se ao local onde Buddha tomou assento quando atingiu a Iluminação. Herdado do Budismo, o termo concerne ao local onde os monges praticam meditação, onde se estuda o Zen. É um ambiente espiritualmente propício, onde a essência da Iluminação está presente.

Analisando os kanjis, temos: (dào ou tao) significando “caminho, princípio de vida”, transliterado como ; e – (chǎng) significando “local”, transliterado como

Literalmente, dōjō é traduzido como “local do caminho”. O conteúdo semântico remete ao espaço físico onde se aprende um caminho de aperfeiçoamento pessoal para a compreensão do ciclo da vida.

Antigamente no Japão, os dojos eram anexos aos templos budistas e eram locais formais para a prática das artes tradicionais da cultura japonesa, como chadō; kadō; shodō; kodō; kendō; judō; aikidō e karate-dō. Portanto, o conceito de dojo vai muito além de um lugar onde se pratica artes marciais nipônicas e o termo jamais pode ser reduzido a uma academia onde se pratica atividades físicas.

É no dojo que os artistas marciais autênticos buscam e encontram a paz, a felicidade, a harmonia, a compreensão de si e dos outros. Na busca disciplinada e incansável pela maestria, eles não apenas fortalecem o corpo, mas também a mente e o espírito, propiciando a transformação do ser.

Reverenciado como um local sagrado, o dojo é um ambiente de respeito onde não há espaço para o ego, preconceitos e condutas imorais. No dojo se aprende o caminho marcial, o Budō. No entanto, para alcançar a compreensão profunda de seu significado, se faz necessário vivenciar a filosofia das artes marciais.


 

 Sensei Thiago Caitanya ©2020

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