O Símbolo

Imagem
Após a escolha do nome, surgiu o impulso natural de encontrar uma imagem que o representasse — um símbolo. Não apenas uma marca visual, mas uma expressão tangível da essência do Zen Dojo. Se o nome carrega a vibração, o símbolo é a forma que essa energia assume ao se manifestar no plano material.   Símbolos não são meros ornamentos gráficos; são portadores de sentido. Cada traço, forma e cor pode evocar camadas profundas de significado. Eles atuam como portais, permitindo ao observador acessar, de forma intuitiva, o invisível através do visível, ou seja, o espírito daquilo que representam. Muito antes de ser traçado no papel ou renderizado em bits, o símbolo do Zen Dojo já existia. Ele não nasceu de um projeto racional ou de um esforço criativo, mas de uma escuta atenta — de quem percebe, no silêncio, uma melodia que só pode ser ouvida internamente. O processo de desenvolvimento ocorreu de forma natural,  e a manifestação se deu por meio de uma sintonia fina entre a minha intu...

ZEN - 禅




Na propagação do Budismo da Índia para a China, no séc. I, os sutras sofreram adaptações às ideias e terminologias taoístas e confucionistas. Essas adequações à cultura e compreensão chinesa culminaram no Budismo Chinês, que se fundamentava nos sutras, tradições e rituais.

No início do séc. VI, o vigésimo oitavo patriarca do Budismo, Bodhidharma, viajou da Índia à China para reestabelecer a verdadeira essência do Budismo, o dhyāna. Dhyāna refere-se à um estado meditativo, normalmente traduzido como “meditação”.

Ao estabelecer-se no Mosteiro Shaolin, Bodhidharma se deparou com monges com a saúde fragilizada devido a inatividade física. Visando melhorar esse estado, ensinou-lhes práticas do Yoga e movimentos do Vajramusthi, a arte marcial indiana. No ensino de dhyāna, Bodhidharma enunciou quatro princípios essenciais:

·        transmitir sem levar em conta as escrituras;

·        não depender de palavras ou textos;

·        avançar diretamente rumo ao espírito do homem;

·        contemplar sua própria natureza e alcançar a condição de buddha.

Esses princípios tornaram os adeptos imunes ao pietismo e à fé cega, e formaram a base de uma filosofia a qual seus seguidores passaram a ser conhecidos como: adeptos do Ch’an.

A palavra ch'an é a forma reduzida da palavra channa, que por sua vez é a transliteração chinesa do termo sânscrito dhyāna. O Ch'an é caracterizado pela busca do autoconhecimento e da Iluminação através da meditação. Enfatiza a autodisciplina, a percepção da natureza da mente e das coisas e a expressão pessoal dessa percepção na vida cotidiana, bem como, a importância da simplicidade e do estado de presença.

No Mosteiro Shaolin, a fusão do Vrjamusthi com o Wǔshù - artes marciais chinesas, resultou na primeira forma institucionalizada do que conhecemos como Kung-Fu Shaolin. Logo, as artes marciais passaram a ser vistas como formas distintas de praticar o Ch’an.

O Ch’an se propagou para a Coréia e para o Japão, onde o termo foi transliterado como Zen. No século XII, o Zen originou duas principais tradições. A simplicidade da tradição Sōtō, que enfatiza o zazen - meditação sentada, atraiu a classe camponesa.  A tradição Rinzai é considerada uma escola rígida, com traços mais intelectuais, e, além do zazen, também adota Koans - enigmas paradoxais em suas práticas, atraiu a classe dos samurais, que acreditavam que a prática Zen poderia ajudá-los a desenvolver a coragem, a força interior e a clareza mental necessárias para lutar em batalhas.

O Bushidō - código de ética dos samurais, que enfatiza a importância da honra, da coragem, da lealdade e da disciplina, foi moldado e se desenvolveu a partir do Zen, somado à conceitos do Taoismo, do Confucionismo e do Xintoísmo (religião ancestral típica do Japão).

Alguns mestres de artes marciais, como o lendário Miyamoto Musashi, incorporaram os princípios do Zen em suas técnicas de luta e criaram abordagens que enfatizam a importância da harmonia entre a mente e o corpo. Ao longo dos anos, muitas escolas de artes marciais nipônicas integraram os princípios do Zen em suas práticas.

Atualmente no Brasil, a palavra “zen” é usada como adjetivo para uma pessoa calma, que leva uma vida com serenidade, tornando-se uma interpretação muito aquém da profundidade de seu significado original.

Fritjof Capra diz que o Zen é uma combinação única das filosofias e particularidades de três culturas diferentes. Trata-se de um modo de vida tipicamente japonês, muito embora reflita o misticismo indiano, o amor taoísta à naturalidade e à espontaneidade e o sólido pragmatismo da mente confucionista.

 

 Sensei Thiago Caitanya ©2020

 

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